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Mostrando postagens de 2012

E eles ainda surpreendem

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Nesse sábado tive a sorte de passar pelo Multishow e ver que eles estavam transmitindo ao vivo um dos shows da comemoração dos 50 anos de carreira dos Rolling Stones. Difícil achar palavras para descrever o que esses caras fazem e é inacreditável a energia e pegada desse quarteto setentão.
Na verdade, só o Charlie Watts (bateria) rompeu a barreira dos 70 (71 anos), mas Mick Jagger e Keith Richards chegam lá no ano que vem. O garoto da turma é Ronnie Wood que tem somente 65 anos. Era de se imaginar que eles mandassem bem em baladinhas tranquilas como “Wild Horses” ou músicas mais rockabilly como “Dead Flowers”. Ledo engano. O que se viu foi os caras arrebentarem nas músicas mais rock como “Paint It, Black” e “Gimme Shelter”.
Por mais que se fale das brigas e rachas, no palco os Stones são de uma coesão impressionante. Charlie Watts, sempre discreto e longe dos holofotes, conduz a bateria com muita competência. Ronnie Wood foi particularmente brilhante no show de ontem. Sua guitarra, s…

Fim de semana de documentários

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Em um fim de semana desses assisti dois documentários muito bons, ambos sobre grandes músicos/poetas: Raul Seixas e Vinícius de Moraes.

O “Vinícius” de Miguel Faria Jr. é uma obra de arte e muito criativo. Além do tradicional formato de documentário, com narrações e depoimentos de amigos, é entrecortado por artistas interpretando músicas de Vinícius. Estão lá Yamandú Costa, Adriana Calcanhoto, Olívia Byington, Mônica Salmaso, Zeca Pagodinho e outros. Conta ainda com uma bela interpretação de Camila Morgado e Ricardo Blat recitando poesias e textos de Vinícius.


Vinícius foi um poeta e letrista único e que cantou o amor e a vida como poucos e o documentário conseguiu capturar muito bem esse seu lado. É quase uma unanimidade entre os convidados a intensidade com que Vinícius vivia o amor, a ponto de ter sido casado com nove mulheres. Pelo visto ele viveu aquilo que escreveu em duas de suas poesias/letras: "que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.&q…

Comunismo: a história de um sistema que definiu o século XX

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Pra variar, ao invés de uma reflexão, vou compartilhar um livro muito bacana que acabei de ler, "Ascensão e Queda do Comunismo" (The Rise and Fall of Communism) do escocês Archie Brown, renomado estudioso do comunismo que se dedica ao assunto desde os anos 60.

O tema é fascinante pois trata de um sistema político e econômico que marcou o século XX e definiu, para bem e para mal, a história mundial recente. Ainda me é viva a lembrança da Cortina de Ferro, da Guerra Fria e sua corrida armamentista e dos eventos que se seguiram à queda do Muro de Berlim e dos regimes comunistas europeus e foi isso que me atraiu para o livro.

Além das raízes do comunismo, desde Marx e Engels e a revolução Bolchevique, o livro conta com detalhes a ascensão e queda do regime em todos os países que o adotaram, da União Soviética ao Camboja, passando por Cuba, China e outros. O autor, porém, vai muito além de uma simples narrativa e faz uma análise crítica do sistema como um todo e de suas peculiarida…

Atemporalidade da música e a temporalidade do artista

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Há alguns dias assisti a um ótimo show do Lô Borges.  Não poderiam faltar os clássicos como “Paisagem da Janela”, “Nuvem Cigana” e outras tantas que o consagraram. Lô Borges, porém, intercalou algumas músicas dos últimos discos, o que foi uma grata surpresa pra mim, pois conhecia pouco do que rolou. O público cantou junto as “das antigas”, mas sempre dava uma esfriada nas mais novas por serem menos conhecidas. E foi justamente isso que me fez pensar sobre o tempo das músicas e do artista e como aquelas parecem perdurar mais do que seus próprios autores e intérpretes.

Creio que nós temos uma queda pela nostalgia, muitas vezes valorizando demais o passado e sem prestar atenção no que está acontecendo agora. E com música não é diferente. Parece que paramos em determinado momento e não damos chance para coisas novas. Sejam elas vindas de novos artistas ou dos antigos, como se Chico Buarque tivesse parado em Roda Viva ou o Paul McCartney ainda tocasse com os Beatles. Mea culpa, ainda estou …

Descobertas Quae Sera

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Isso não é latim. É só uma brincadeira. A descoberta ainda que tardia. A música é um processo de eterna descoberta e aprendizado. Por mais que já tenha gastado meus discos dos Beatles, volta e meio descubro algo novo. Um instrumento que passou despercebido, uma voz que não tinha ainda escutado e por aí vai. Duas descobertas que fiz recentemente, porém, não foram tão sutis: a obra de duas grandes bandas, The Doors e Legião Urbana.

Confesso que é deveras estranho eu ter demorado tanto para explorar essas duas bandas, em especial a Legião, que teve seu auge justamente nos meus anos de Brasília e era a banda mais influente da turma da minha idade. Talvez tenha sido radicalismo meu não ter dado mais crédito ao Renato Russo e Legião. Afinal, meu gosto sempre teve um viés para o instrumental, o que me fazia preferir, entre as nacionais, o Barão Vermelho ou os Engenheiros do Hawaii por conta da qualidade de seus instrumentistas. De fato, nesse quesito a Legião sempre ficou a desejar. Sincerame…

A Comissão da Verdade: por que não?

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Há algumas semanas compartilhei no Facebook um vídeo pedindo o esclarecimento dos inúmeros desaparecimentos ocorridos na ditadura, de uma campanha da OAB-RJ (assista no Youtube). Em discussões com amigos e acompanhando notícias na mídia, como a reação do general Torres de Melo, fico surpreso com a objeção de pessoas à Comissão da Verdade e com seus argumentos.

Um dos primeiros argumentos contra a Comissão é a punição também para quem, na luta armada, cometeu crimes como roubos, assassinatos e atentados que fizeram vítimas inocentes. Em primeiro lugar, não creio que o objetivo da Comissão seja perseguição e punição a crimes cometidos no período, até porque essas são atribuições do Ministério Público e da Justiça. E, falando em verdade, é fato que a resistência armada fez vítimas inocentes durante a luta. Essas vítimas, porém, tiveram direito a um enterro digno e suas famílias ao menos sabem onde se encontram os restos mortais de seus entes queridos. Esse mesmo direito foi negado às famí…

Janeiro e suas mulheres revolucionárias

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Acompanhei, ao longo do mês de janeiro, várias reportagens que, no conjunto, me chamaram a atenção para o fato de esse mês estar ligado a quatro mulheres incríveis e revolucionárias.

Nara Leão nasceu no dia 19 de janeiro e em 2012 completaria 70 anos. Sempre será considerada como a musa e a voz feminina da bossa nova, o que por si só já lhe valeria o título de revolucionária. A bossa nova nasceu, no Rio de Janeiro, em reuniões de jovens e um dos pontos tradicionais era o apartamento dos pais de Nara. Assim, ela esteve ligada às origens desse importante movimento musical que projetou a música brasileira para o mundo. Esse destaque, porém, não fez com que ela deitasse sobre os louros ou se acomodasse na fama. Nara fez parte também de outra vanguarda importante na MPB, a Tropicália, que fundiu a música brasileira com o rock. É um caminho um tanto quanto interessante: levou a MPB pra fora e voltou com aquilo que acontecia no mundo.
Se o 19 de janeiro marcou o nascimento de uma musa, foi tam…

Parcerias improváveis ou a química misteriosa de certas bandas

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Grandes momentos do rock nasceram de parcerias improváveis. Conflitos de ego e estilo resultaram em uniões tensas, mas que conseguiram fazer trabalhos memoráveis e me fazem pensar sobre a química que ali existiu.
Assisti recentemente o documentário “Stones in Exile”, que conta a gravação daquele que é considerado um dos melhores discos dos Rolling Stones, o “Exile on Main Street”. Recomendo ambos: o disco, que é excepcional, e o vídeo, que conta seu processo de criação.
Em tempos “pós-Sergeant Peppers”, onde o álbum conceitual era a moda, os Stones seguiram o caminho contrário, o da improvisação. Foram juntando fragmentos de músicas e letras e, em um processo e ambiente quase caótico, fizeram um grande albúm, gravado quase todo na mansão paradisíaca de Keith Richards a beira mar no sul da França. A mansão e o lugar eram de sonhos, mas não o ambiente, movido a cocaína, heroína, outras-ínas e Jack Daniels.
Mesmo em meio a esse caos, os Stones encontravam uma força criativa e conseguiam dar…